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Terça-feira, 21 de Abril de 2026

Saúde

Com casos em alta em SC, especialistas alertam que dengue pode causar complicações no sangue

Casos de dengue no Brasil apenas em janeiro deste ano chegaram a 217 mil

Jornal Gazeta
Por Jornal Gazeta
Com casos em alta em SC, especialistas alertam que dengue pode causar complicações no sangue
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Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas em janeiro deste ano, foram registrados 217 mil casos de dengue no Brasil. ou seja, mais que o triplo em relação ao período do ano passado quando foram notificados mais de 65 mil casos.

Em Santa Catarina, a situação está cada vez mais preocupante. Em recente divulgação do boletim da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), os números chegaram a mais de 13 mil casos prováveis em 175 municípios. Em conjunto, Florianópolis, São José e Palhoça somam mais de 500 casos confirmados.

Assim, o TCE/SC (Tribunal de Contas de Santa Catarina) solicitou um plano de contingência de prevenção e combate à dengue para o governo e para as 295 prefeituras do Estado.

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Dengue pode levar à morte

Causada pelo mosquito Aedes aegypti, a dengue causa vasodilatação no sangue com potenciais riscos, como desenvolvimento de plaquetopenia, cujas pintas vermelhas características podem apresentar a necessidade de transfusão sanguínea em casos hemorrágicos, forma mais grave da doença.

 

O médico hematologista Dr. Carmino de Souza, diretor científico da ABHH (Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular) explica que ocorre uma vasodilatação com extravasamento de plasma sanguíneo, e pode desencadear pressão baixa, desidratação e até a morte.

“Além disso, um fenômeno que acompanha a vasodilatação é o extravasamento de plaquetas, células responsáveis pela coagulação, o que leva a uma plaquetopenia, que são o aparecimento de pintinhas vermelhas nos membros do corpo. No entanto, ela é reversível à medida que a dengue vai se controlando”, diz.

Sem doação de sangue

Souza complementa que em casos raros pode haver a necessidade de o paciente receber doação de sangue para elevar o nível de plaquetas: “Mas é pouco comum, embora quando o paciente tem dengue hemorrágica seja importante esse acompanhamento do médico clínico geral para avaliação por meio de exames como o hemograma”, conta.

É importante ainda dizer que o paciente com dengue não deve doar sangue por aproximadamente 30 dias após o diagnóstico e nem é indicada a pacientes em tratamento onco-hematológico.

Vacina contra a dengue

Em alguns municípios, o governo já iniciou a imunização contra a dengue de pessoas de 10 a 14 anos, a partir deste mês.

De acordo com a médica virologista, Ester Sabino, membro do Comitê de Doenças Infecciosas Transmitidas por Transfusão da ABHH, o Ministério da Saúde definiu essa estratégia porque ainda existem poucas doses de vacina, sendo escolhida a faixa etária considerada mais vulnerável e com mais internações.

Em Santa Catarina, a vacina contra a dengue ficou de fora da primeira remessa por conta de três critérios utilizados pelo Ministério da Saúde: o primeiro deles leva em conta o rankeamento das regiões de saúde e municípios; o segundo é o quantitativo necessário de doses para a população-alvo e cálculo total de doses a serem entregues em uma única remessa ao municípios.

A doutora Adriana Scheliga, médica hematologista e membro do Comitê do Comitê de Linfomas não-Hodgkin da ABHH orienta que a vacina não seja usada por pacientes em tratamento de câncer .

“Devido a vacina ser produzida por um vírus vivo atenuado, não indicamos aos pacientes em tratamento do câncer, assim como vacinas para caxumba, sarampo, rubéola, febre amarela, poliomielite, entre outras. Neste caso, é necessário a prevenção usando repelente e combatendo o mosquito com as medidas cabíveis em casa, por exemplo, não deixando água parada em vasos de planta.

Experiência de Covid-19 serviu de alerta a epidemias

Para os especialistas, a experiência da pandemia serviu de alerta ao governo para gerenciamento do SUS (Sistema Único de Saúde) em epidemias como a de dengue.

“A Covid-19 desorganizou os serviços de saúde inclusive a resposta à dengue. Essa desorganização associada ao aumento da temperatura fará com que este ano tenhamos uma das maiores epidemias de dengue”, pontua Sabino.

Para Souza, a pandemia de Covid-19 evidenciou que com serviço de saúde organizado, seja ele público ou privado, a resposta à epidemia de dengue deve ser mais efetiva.

“Na grande maioria dos casos de dengue, com exceção dos casos mais graves, o tratamento é feito na rede básica do SUS. Portanto, quanto mais bem organizadas as equipes e a relação com os laboratórios para diagnóstico, melhor. Com uma população bem informada, com o diagnóstico precoce e a hidratação do paciente no tratamento, haverá uma boa evolução dos casos”, conclui o médico.

 

FONTE/CRÉDITOS: ndmais.com.br
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